26 de maio de 2012

Rio


Eu sou um rio...
límpido, calmo e reluzente, á superfície.
Quem quer, navega através dele,
quem sabe das suas qualidades, usa-as bem.
Quem não quer, não as usa,
nem chega perto.
Sou um rio, fluo conforme o vento,
sem obrigações, conforme o tempo dança....


mas, como todos os rios, guardo um segredo.
Na profundidade, longe dessa calmaria toda,
há um constante turbilhão...

O turbilhão da minha história,
da minha existência, dos meus desgostos
e da vida que reina em mim...assim como da morte.
Testemunhei a morte da alma,
a reoxigenação das minhas algas
e não,
cá em baixo eu não danço segundo o vento nem o tempo...
Danço conforme a minha história,
conforme os mitos que me formam.

Eu sou um rio,
quem sabe das minhas qualidades, usa-as
quem não as conhece,
que nem chegue perto
porque tal como um rio
posso engolí-lo
para que faça parte da mitologia da minha vida.

Sem comentários: